
A associação portuguesa Pais para Sempre uniu esforços com as suas congéneres espanhola e britânica para pedir que seja promulgada, a nível europeu, uma lei, recomendação ou directiva que estabeleça o exercício conjunto do poder paternal aplicável a qualquer país da UE, de forma a «melhorar a legislação de todos os países no direito da família». Estas associações europeias de Defesa dos Direitos das Crianças Filhas de Pais Separados recordam, aliás, que a atribuição de guarda conjunta aos dois pais é já prática comum em países como a França, a Itália ou a Bélgica.
Luís Gameiro, da associação Pais para Sempre, referiu ao Destak que «em Portugal, os tribunais decidem quase sempre a favor da mãe e raramente é atribuída a guarda conjunta».
Na prática, acrescenta, «os filhos acabam por ter um contacto muito superficial com os pais, porque não é com visitas de 15 em 15 dias que se consegue ter o tipo de relacionamento que qualquer pai deseja ter com os filhos».
Aliás, a associação estima que mais de 500 mil crianças portuguesas vão passar o Natal afastadas de um dos progenitores. «Ficaremos muito felizes quando todas as crianças puderem celebrar esta quadra festiva mantendo uma ligação viva com ambos os pais. Esse será um dos melhores presentes que o Pai Natal lhes poderá dar.»
Brevemente serão entregues comunicados a alertar a população para estas ques-tões, «pois afectam todos os estratos sociais». «Por vezes é desesperante para os pais quererem estar com os filhos e não poderem fazer nada.»
Fonte: Destak.


Carta ao Pai, Gradiva, Lisboa, 2000.
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Crítica literária Carta ao Pai: Um livro para ler e reflectir
Dedicado aos seus filhos, a escritora dá-nos a conhecer o mundo da solidão e silêncio pelo qual tantas crianças passam…
Maria João Saraiva de Menezes escreveu este Carta ao Pai, num estilo claro e profundamente sentimentalista. Dedicado aos seus filhos, a escritora dá-nos a conhecer o mundo da solidão e silêncio pelo qual tantas crianças passam…
O livro é somente uma carta escrita por uma filha já adulta, casada e mãe, que decide exprimir por carta anos e anos de lágrimas e de angústias, passados na infância e adolescência, enquanto estava sob a tutela de seu pai.
Num total de 31 páginas, o livro é de fácil e rápida leitura, tanto para os amantes da escrita como para aqueles que se demonstram mais preguiçosos. Esta carta é a história de uma menina que desde muito cedo, se viu privada da companhia da mãe por motivos de separação e que retrata agora, os seus momentos de mágoa e dor.
Testemunho real ou não, a verdade é que esta poderia ser perfeitamente a história de tantas crianças, espalhadas por esse mundo fora. Ausente de amor, carinho ou de qualquer forma de diálogo, esta e outras crianças não conhecem o significado da palavra paz ou harmonia.
Esta carta singular pode traduzir-se por ser uma carta universal, de milhões de filhos para milhões de pais. Filhos que apenas conheceram o horrendo mundo do autoritarismo, e que nunca souberam o que era um abraço ou um simples beijo paternal.
Carta ao Pai deve ser um exemplo a não seguir, um desenrolar de pequenas histórias de castigos e de autoritarismo desumano, que não pode constituir-se como um seguimento de continuidade para nenhuma família. O silêncio é a única fonte de prazer, no qual os castigos são abafados pela carga emotiva das lágrimas, cuja única forma de consolo é a solidão.
Maria João Saraiva de Menezes, presenteia-nos com este livro extraordinariamente simples, mas incrivelmente intenso de solidão. O amor dos pais é mais importante para os filhos, do que as refeições que eles deliciosamente saboreiam. Dê-lhes amor e ao ler este livro, saiba que ele contém tudo aquilo que um pai jamais deve representar para um filho.
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