
O trabalho infantil poderá aumentar nos próximos tempos em Portugal devido à situação de crise e ao aumento do desemprego, alertou hoje a vice-presidente da Confederação Nacional de Acção sobre Trabalho Infantil (CNASTI).
Pedro Junceiro com Lusa | pjunceiro@destak.pt
De acordo com Fátima Pinto, o trabalho infantil em Portugal tem vindo a diminuir, mas «é muito complicado dar por terminada esta realidade», uma vez que em qualquer momento, nomeadamente em situações de crise económica, poderá ser alterada, dando como exemplo a actual situação de crise.
«Com o aumento do desemprego e em situações de miséria e de fome, as famílias recorrem a todos os meios para sobreviver. Se o pai não pode trabalhar, talvez o filho possa», sublinhou Fátima Pinto, que refere algumas situações “ocultadas” dentro do país..
Crianças a trabalharem em fábricas ou na construção civil não constituem hoje uma realidade visível, uma vez que as coimas e a fiscalização são elevadas, segundo a responsável, que chamou a atenção para os casos de trabalho domiciliário, nova forma que as empresas, sobretudo de calçado e têxtil, encontraram para diminuir os custos em tempo de crise, ajudando os pais a coser sapatos ou a cortar linhas em roupa.
«O trabalho domiciliário é uma forma que as famílias pobres encontraram para arranjar dinheiro para comer. A fábrica paga ao fim do dia e assim têm dinheiro para a comida do dia seguinte», disse.
Maria do Carmo Tavares, da comissão executiva da central sindical GCTP, disse à Lusa que este tipo de trabalho acontece nas famílias com rendimentos baixos e residentes essencialmente na região Norte.
Fonte: Destak.


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