
As famílias portuguesas deverão ter comprado em Setembro cerca de dez milhões de manuais definidos como «obrigatórios» pelas escolas, segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.
O regresso às aulas para os mais de 1,4 milhões de alunos faz movimentar todos os anos um negócio de milhões.
Só os livros obrigatórios representam «80 milhões de euros» e a quase totalidade destes manuais são comprados em Setembro.
Este ano, 400 mil alunos carenciados vão ter livros gratuitos e cerca de 300 mil vão receber apoio de 50 por cento, adianta o presidente da Associação Nacional de Pais (Confap), Albino Almeida.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses gastam mais em educação que a média europeia. As famílias com filhos despendem 571 euros do seu orçamento e, segundo o inquérito do INE, os mais gastadores são os da região de Lisboa, que gastam 978 euros.
A Confederação das Associações de Pais acusa as livrarias de estarem a enganar as famílias e esconderem informação na altura da compra dos manuais escolares.
Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais, considera que muitas vezes as livrarias induzem a compra de cadernos de exercícios e DVD’s, dando a entender que se trata de material obrigatório.
Albino Almeida realça que há famílias que estão a ultrapassar os limites de despesa da acção social escolar, um apoio de 150 euros e a culpa é dos livreiros.
O presidente da Confederação das Associações de Pais denuncia ainda a estratégia dos livreiros para convencer as famílias a comprar mais material do que aquele que é exigido pelas escolas. «Estão a ser levados a comprar na medida em que lhes aparece o produto embalado em conjunto», explicou.
Também a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros admite que já recebeu queixas de pais que se dizem enganados.
Vasco Teixeira, coordenador do livro escolar da associação, pensa que as famílias estão mal informadas. «Os pais às vezes no momento em que compram os livros não sabem se o professor pretende apenas o manual e por isso têm às vezes alguma dificuldade» em saber o que comprar, adianta.
Vasco Teixeira acrescenta ainda que, muitas vezes, são os professores a recomendar a compra de materiais não obrigatórios como os livros de exercícios.
São cerca de quatrocentos mil os alunos carenciados que deviam ter livros gratuitos, mas em muitos casos o limite de despesa imposto pela acção social escolar está a ser ultrapassado.
Fonte: TSF.

