Convívio diário entre o casal pode revelar atritos desvalorizados no resto do ano.
Pode afinal a convivência de um casal em tempo de férias ser uma causa de divórcio? Os psicólogos defendem que sim, e até existem estudos que referem que os pedidos de divórcio chegam a aumentar cerca de 30% após as férias. A “obrigação” de um convívio diário serve, afinal, para redefinir estratégias que permitem continuar a relação ou para chegar à conclusão de que o casamento chegou ao fim.
“Nestes períodos, as pessoas estão obrigadas a confrontar-se pessoalmente, o que não sucede durante o resto do ano”, explica a presidente do Instituto Português de Mediação Familiar (IPMF), Maria Saldanha Pinto Ribeiro. Ora, salienta, “quando as coisas vão mal na relação, estes momentos potenciam o confronto”.
Discurso similar tem o psicólogo e sexólogo Júlio Machado Vaz, que recorda que “as férias muitas vezes servem para se fazer balanços finais”. “Sem o stress do quotidiano, as pessoas podem redefinir as estratégias e continuar a relação ou então colocar um final no casamento”, acrescenta. Júlio Machado Vaz não esquece, contudo, os casos dos que, em tempo de férias, “descobrem que a relação já chegou ao fim”.
Um dos problemas deve-se ao facto de durante os períodos de férias não existirem as “desculpas” do dia-a-dia laboral, desde os cuidados com os filhos às obrigações decorrentes do trabalho. Uma situação que não é exclusiva de Portugal. Segundo dados do Instituto de Política Familiar de Espanha, um em cada três divórcios ocorre após as férias de Verão.
Uma realidade que se transpõe para Portugal, dizem os responsáveis da Albenture, empresa que disponibiliza serviços de conciliação da vida laboral e privada dos empregados de grandes e médias empresas, entre os quais a mediação familiar. “Muitas vezes, a falta de comunicação entre os membros do casal, que dá lugar às crises que originam separações e divórcios, tem o seu ponto de partida nos núcleos familiares em que ambos trabalham fora de casa”, salienta fonte da empresa.
Para Júlio Machado Vaz, a dificuldade de convivência diária reflecte-se até na programação das férias. “Uma variante são os casos dos casais que apenas fazem férias em grupo”, adianta, explicando que “isso é uma defesa para quem já não se consegue enfrentar”.
Receitas para contornar estas dificuldades, diz Maria Saldanha Pinto Ribeiro, “não há”. “Os direitos pessoais tornaram-se mais importantes que os direitos do grupo”, pelo que “quando o casamento não traz felicidade, parte-se para outra relação”.
Fonte: Hélder Robalo, DN.

