
Os pais devem evitar que a ansiedade financeira criada pela situação de crise os ponha num estado de preocupação e dramatismo, dando sempre aos filhos a ideia de que há um futuro, afastando os «becos sem saída». A opinião é da Secção de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), que defende que os pais devem fugir de um estado de ansiedade «que os torne menos disponíveis e despertos para as inquietações das suas crianças», que é natural que aumentem nestes momentos.
«É uma realidade inquestionável que a crise também chegou ao universo das crianças e, para isso, muito contribui a televisão que as bombardeia constantemente com a crise financeira, o IVA, o FMI, a bolsa e o rating», assume Deolinda Barata, presidente daquela secção da SPP.
Por isso, os pais têm de estar «redobradamente atentos», mas sem privar as crianças da realidade e sem deixar de explicar a crise, com verdade.
Pode tornar-se também necessário reformular hábitos, banindo o que é supérfluo. No fundo, é educar os filhos a dar mais importância «ao ser» do que «ao ter».
Aliás, com menos capacidade de compra, Deolinda Barata prevê que os pais possam ter mais disponibilidade de tempo para o «envolvimento afectivo e emocional com os seus filhos».
«As crises, em geral, obrigam-nos a repensar os projectos de vida e a encontrar soluções mais criativas e eventualmente mais satisfatórias», defende a médica.
A especialista da SPP insiste que as famílias têm de evitar «dar uma dimensão catastrófica da vida, reforçando o conceito de que o ser humano é dotado de uma capacidade de adaptação às adversidades».
«Deve ser dado relevo a que as pessoas podem sair destas crises com aumento das suas competências relacionais, sociais e culturais», diz.
Avisa ainda que a situação financeira das famílias pode ser motivo de ansiedade entre os mais novos se os pais projectarem nos filhos as suas inquietações e angústias.
Contudo, a SPP frisa que há situações de pobreza extrema que conduzem à exclusão social e que obrigam a medidas concretas de ajuda, por parte do Estado ou do Governo, «dotando as famílias de meios que lhes permitam sair de uma situação humilhante socialmente».
Fonte: Lusa / SOL.

